Por Ācārya Sthaneshwar Timalsina, traduzido com a autorização do autor

Śrīcakra, o yantra (maṇḍala) da tradição tântrica Śrīvidyā
1. Por Dentro dos Mantras
1.1. Os mantras desempenham um papel significativo nas tradições védicas e tântricas. O tantra vê a recitação (japa) dos mantras de maneira um pouco diferente daquela encontrada nos rituais védicos, onde a repetição exata de um mantra enfatiza a precisão da expressão vocálica.1 O tantra empreende o japa como uma visualização interna realizada com uma compreensão adequada do significado dos mantras. Japa é uma das estratégias tântricas para conduzir a mente internamente, desde a forma mais extrovertida de linguagem comum ao repouso na verdadeira natureza da consciência.
1.2. A recitação é considerada a forma mais elevada de ritual na Bhagavadgītā (BG),2 enquanto Yogasūtra (YS) a considera como um meio de auto-realização. Embora as referências na BG e YS apoiem que japa e reflexão coincidem,3 não é explícito se YS define originalmente japa como uma prática que inclui reflexão sobre o significado do mantra, ou se japa e reflexão sobre seu significado são dois atos separados.4 Não obstante, esses dois aparecem juntos no mesmo sūtra em YS, suficientemente próximos para apoiar o argumento de que esses atos são realizados juntos. YS interpreta esta reflexão como sendo sobre o Senhor (Īśvara).5 Ele não categoriza japa, nem considera os múltiplos significados de um mantra, e YS é silencioso ainda sobre a visualização de maṇḍalas e vários cakras dentro do corpo enquanto entoa mantras. Textos tântricos, em contraste, são explícitos: japa é idêntico à reflexão sobre o significado do mantra. Esse entendimento resulta na identificação do praticante com a divindade em múltiplas formas icônicas, a maṇḍala e o mundo, todos reconhecidos como o corpo do praticante. Assim, seguindo os textos tântricos, a recitação de um mantra não é apenas contar contas do mala, mas se fundir na consciência divina que se manifesta na forma do mundo, na forma física do próprio praticante e na forma de altar-ritual ou maṇḍala.
1.3. A prática do mantra se apoia em dois aspectos essenciais: a) prática vocálica interna, passando da expressão externa para o sentimento interno, e b) a compreensão de seus múltiplos sentidos, exigindo visualizações cada vez mais complexas. Os gramáticos sânscritos consideram a fala como tendo vários níveis, desde aquele que é pronunciado em voz alta até sua forma mais sutil, idêntica à consciência pura.6 O tantra elabora esse conceito e constrói uma hierarquia de japa, com a recitação em voz alta do mantra considerada menos potente e de uma ordem inferior do que sentir o mantra internamente, o que pode resultar em um estado de paz ou obtenção de liberação. Alguns Tantras prescrevem o canto alto de mantras específicos para realizar magia negra.
1.4 A fala possui quatro níveis: parā (transcendente), paśyantī (vidente), madhyamā (verbalização interna expressa no meio termo entre fora e dentro, e ouvida pelo praticante, mas não por outros), e vaikharī (expressão externa).7 Parā, ou fala transcendente, é pura consciência em si mesma e, uma vez que neste estado o ato de reflexão ou recitação não pode ocorrer, o japa é realizada em três níveis sucessivamente mais elevados de fala, começando no vaikharī. Estes são reconhecidos como vācika (pronunciado), upāṃśu (expressão interna) e mānasa (mental).8 Mantras longos, bem como orações, são recomendados para serem cantados em voz alta. Esta emissão audível acalma os sentidos que estão totalmente engajados externamente, desfrutando de objetos externos, e leva a mente à sua verdadeira natureza, a consciência em si mesma.
1.5. Enquanto ambas as tradições védica e tântrica veem o mantra como um discurso secreto,9 os Tantras entendem o mantra como tendo a natureza de expansão e contração, uma experiência que engloba todas as imaginações.10 Em vibhava (expansão), o mantra está em sua glória, da natureza da reflexão em que todas as palavras, todos os pensamentos, todas as imaginações estão envolvidos na consciência que é a experiência que permeia todas as cognições instantâneas. A pessoa que está praticando o mantra tem, por sua própria vontade, sua glória de expansão e contração como dois estados em que o que é expansão é o desenvolvimento, o florescimento do sentido-do-eu completo que é a forma mesclada do mundo e tudo o que está além, e isso é o que chamamos de soberania. Nesse estado de Śiva, os mantras são aquela reflexão mesma. No estado de contração (saṅkoca), os mantras protegem o indivíduo acorrentado que parece incompleto, e que, devido a essa limitação, possui medo.
1.6. Durante o percurso da prática, os mantras interagem com a consciência subjetiva do praticante. A individualidade imediatamente experimentada consiste na identidade física pessoal; o segundo nível de individualidade é composto de consciência social em que membros da família ou propriedade, nome e fama, todos emergem como auto-identidade, enquanto a terceira identidade é o sentido interno do eu (ahaṅkāra).11 Japa apoia a consciência individual em uma reversão internalizante desde sua forma externa, permitindo que se dissolva e se funda em sua natureza essencial. A consciência em si mesma que emerge quando a prática do mantra é totalmente ressonante é a consciência divina na qual o praticante experimenta a si mesmo como a divindade sendo visualizada: essa experiência é o que um mantra significa. A prática do mantra culmina com o aspirante reconhecendo-se na forma do mantra. Há, além disso, outros níveis mais elevados de consciência subjetiva pelos quais o praticante ascende no percurso de sua prática antes de atingir completa Eu-idade, o estado de Śiva.12
1.7. De acordo com os Tantras que ensinam o mantra como parte da prática yoguica, a consciência do mantra não apenas encapsula todas as instâncias de cognição, mas também permeia a consciência que se manifesta em vários níveis de individualidade. Como qualquer indivíduo, o mantra também é considerado como tendo corpo e consciência. Os fonemas são considerados o corpo, a aparência física do mantra, enquanto a consciência que tem os poderes de conhecimento e ação vibrantes em sua verdadeira forma é a alma interior dos mantras.13 O objetivo da prática do mantra é reconhecer esta pura consciência. Na experiência do mantra, o praticante permanece neste estado interno de consciência enquanto percebe o mundo externo; japa é recuperar essa consciência.14 Por meio do japa, o praticante chega a repousar no coração divino, consciência em si, e então retorna ao reino do mundano.15 Essa imersão e retorno apoia a elevação da sua mente, permitindo todas as instâncias de consciência a residir no (estado da) ‘consciência apenas’.16 Assim, japa é um processo no qual o praticante gradualmente se torna ciente da verdadeira natureza do ‘mantra’ em si: ‘mantra’ perde sua aparência objetiva e se manifesta como o verdadeiro coração do próprio praticante. Deste modo, ‘mantra’ é a consciência imanente que encapsula todas as categorias que conduzem o praticante a residir na completa eu-idade (pūrṇāhantā).
1.8. O Tantra adota um modelo específico de categorização em que o mundo aparece em uma tríade, com a Suprema Realidade transcendendo-o. Os mantras podem ser expressos em três níveis, sendo o quarto a própria consciência em si. A fala é igualmente categorizada em três manifestações externas, enquanto a quarta, sendo a verdadeira natureza da fala, é a consciência em si mesma. Além disso, nas tradições Trika e Tripurā, as divindades também são visualizadas em uma tríade. A quarta e suprema divindade transcende a tríade, que é seu próprio corpo e que representa as três potências de ação, conhecimento e volição.17 Enquanto a ação é a forma mais visível de poder divino, um yogui, enquanto reflete sobre a verdadeira natureza de mantra, se esforça para dissolver o poder de ação em poder de conhecimento e este, no poder de vontade. Esses poderes são ritualizados como deusas que são adoradas numa tríade que varia de acordo com a divindade central, mais elevada.18
1.9. Os mantras da tradição de Tripurā sintetizam o surgimento triádico de divindades. Os mantras de quinze sílabas de Tripurā,19 segmentados em três Kūṭas (cada um composto por uma sílaba semente e várias outras letras), são projetados em três partes do corpo: o centro do umbigo, a região do coração e a área das sobrancelhas, representando as três energias de fogo, sol e lua. Esses centros também invocam vários níveis de sentido: a tríade de sujeito, cognição e objeto, a tríade na qual a consciência se manifesta externamente como objetos e os centros como os três assentos da Kuṇḍalinī. Assim como os mantras são segmentados em três, também o são as maṇḍalas visualizadas em três planos físicos.
1.10. A recitação do mantra corresponde à visualização de suas sílabas em seis cakras no corpo do praticante. O mantra em sua forma não manifestada repousa nas estruturas mais profundas além da gota (bindu), geralmente visualizada durante a repetição do mantra semente. Os componentes da sílaba semente hrim são h + r + ī + m (considerado como bindu), e os estágios acima da gota são ardhacandra (meia-lua), nirodhikā (poder de retenção), nāda (som), nādānta (a culminação de nāda), Śakti (o estado de potência), vyāpinī (que tudo permeia), samanā (aquilo que incorpora a mente) e unmanā (além da mente). Japa não é meramente repetição dos fonemas, mas também visualização dessas camadas mais profundas, localizadas em ordem vertical acima do cakra da sobrancelha. Esta visualização serve para transformar a consciência do praticante em consciência divina.
1.11. Após a visualização dos vários cakras dentro de seu corpo, o praticante contempla o corpo da divindade e a maṇḍala, seguido em sequência pela concentração em seis vazios dentro do corpo, cinco estados de consciência, a saber, vigília, sonho, sono profundo, transcendente, e o que está além deste (transcendente), e sete viṣuvas.20 Com a complexidade cada vez maior dessas visualizações, a recitação do mantra surge como uma prática yoguica pura de concentração e interioridade da mente, elevando-se do solo no qual se encontra identificada com os objetos. YH prescreve a visualização de seis vazios em seis posições encontradas em doze estágios manifestados no mantra-semente, hrim, e localizados nas posições de r, bindu, rodhinī, nādānta, vyāpikā (ou vyāpinī) e unmanā. Esses vazios são visualizados em sucessão, como círculos em uma pena de pavão, enquanto o sexto vazio focalizado não tem forma. Esses seis vazios representam os objetos internos dos sentidos, incluindo a mente, e a dissolução desses vazios no estado sem forma leva a mente à sua fundação.21
1.12. O propósito da prática do mantra é trazer citta (mente) a repousar em sua verdadeira natureza, cit (consciência). Como Kṣemarāja escreve, essa mesma consciência (citi) é citta, na medida em que se contrai em conformidade com os objetos da consciência.22 A autoconsciência é imanente, envolvida na forma da mente, e a prática do mantra revela sua forma gloriosa de consciência pura e onipresente. Enquanto em sua forma individuada, a consciência é experimentada nos estados de vigília, sonho e sono profundo. Mesmo que não haja consciência objetiva no quarto, ou estado transcendente, a própria autoconsciência é o que é testemunhado. Esta percepção testemunhal não apenas verifica o não-ser de outros modos mentais, mas também prova indiretamente o meio-termo das concepções.23 O Tantra adiciona mais um estado de consciência como turyātīta, o estado além do transcendental ou o quarto, que é idêntico à autoconsciência e é da natureza da bem-aventurança; esse estado não-dual envolve todos os outros modos cognitivos e é considerado como estando além da mente e da fala.24 Os órgãos dos sentidos estão ativos no estado de vigília, enquanto a mente está ativa no sonho.25 Não há objetos no sono sem sonhos; no entanto, essa mesma ausência é o que é conhecido nesse estado, e essa consciência da ausência confirma a existência de sono profundo. Este modo de consciência é visualizado como a gota (bindu) em um mantra. Os dois estágios seguintes são reconhecidos como estruturas internas de consciência nas quais o si-mesmo se manifesta em sua própria forma ou, se as entidades são reconhecidas, são reconhecidas como sendo, na realidade, a própria natureza da consciência. Com esta meditação, o indivíduo se esforça para transcender a individualidade que reside no corpo e na mente; isso resulta em sua habilidade de perceber como uma testemunha, de vagar livremente pelos diferentes estados mentais sem estar engajado.
2. Visualização do Viṣuvas
2.1.0. Viṣuva significa um equinócio. Aqui, isso se refere ao ‘meio termo’ ou ‘uma união’ da mente com aspectos particulares de um mantra. A recitação de um mantra corresponde à concentração em certos fundamentos intermediários, junto com reflexão sobre seus múltiplos significados. YH, um texto primário na tradição Śrividyā, prescreve a meditação sobre sete viṣuvas como parte da recitação do mantra:
2.1.1. Prāṇaviṣuva (meio termo da força vital): A visualização da união da força vital (prāṇa) e a mente é a meditação sobre o prāṇaviṣuva.26 Textos yoguicos e Tantras enfatizam a inter-relação entre a mente e a força vital, e para controlar a mente, os textos prescrevem o controle da respiração. Essa visualização sobre prāṇaviṣuva, no entanto, difere da noção convencional de controlar a respiração no sentido de que a prática não enfatiza o controle físico, mas, em vez disso, uma fusão da identidade da força vital e da mente. Este viṣuva é meditado com foco no surgimento do prāṇa.
2.1.2. Mantraviṣuva: Esta é a visualização do meio-termo no qual a mente é dissolvida no som que se eleva do cakra da base. Aqui, Nāda é o núcleo do mantra praticado. Junto com a visualização de cada sílaba do mantra, o praticante focaliza o som singular que envolve todas as letras do mantra; este processo é chamado de conjunção (saṃyoga) e disjunção (viyoga). Nessa prática, o som é visualizado dissolvendo-se no coração.27 O poder subjacente ao mantra é aquele que conecta todas as suas letras, o nāda que em si é kuṇḍalinī. Os tantras veem os mantras como carregados de poder quando identificados com kuṇḍalinī.
2.1.3. Um yogin visualiza nāda enquanto medita sobre a sílaba semente na qual o mantra se dissolve. Nāda é metaforicamente comparável ao fio em que todas as contas são amarradas, as letras do mantra sendo as contas. Neste processo, o yoguin visualiza uma dissolução das primeiras sílabas, ou Kūṭas, em sílabas subsequentes, culminando finalmente no mantra fundamental de uma só sílaba, específico para cada prática.28 Em seguida, o nāda em que o jīva se funde é visualizado emergindo do coração à abóbada craniana.29 Esta ascensão é entendida de duas maneiras: a) Kuṇḍalinī, localizada no cakra da base, é invocada e se dissolve no coração, que em si é brahmarandhra (o local de brahman), e b) a visualização começa no coração e culmina na abóbada craniana, com brahmarandhra então entendida como localizada no topo da cabeça.
2.1.4. Nāḍīviṣuva: A prática do nāḍīviṣuva é a identificação de nāda (som) com nāḍīs (canais). Ao pronunciar um mantra, o som que é a base de todos os fonemas é observado com atenção. Quando todas as letras se fundem no som do mantra-semente, esse nāda é visualizado dentro do canal central (suṣumnā) como penetrando todos os doze nós enquanto transcende os seis cakras. A visualização de nāḍīviṣuva culmina quando um yoguin sente um toque (sparśa) do som trêmulo subindo do cakra da base através do suṣumnā.
2.1.5. Praśāntaviṣuva: Com a meditação em Praśāntaviṣuva, os estágios de bindu, ardhacandra, nirodhinī, nāda e nādānta se dissolvem no estado śakti. Considerado nādayoga e chamado praśānta (absolutamente pacífico), os estágios mais profundos do som são visualizados aqui, com todas as atividades mentais apoiadas no estado śakti.
2.1.6. Śaktiviṣuva: O nāda assim dissolvido em śakti continua sua ascensão, cruzando o estágio de vyāpinī e dissolvendo-se em samanā. Esta é na verdade uma extensão de praśāntaviṣuva.
2.1.7. Kālaviṣuva: Aqui, o yogin visualiza nāda como transcendendo o tempo. Ao preparar a mente para esta meditação, unidades sutis de tempo são contempladas. A meditação de Kālaviṣuva torna a mente do yogin hábil em visualizar essas medições minuciosas de tempo tão sutis quanto 10.817 unidades de tempo chamadas tuṭis, vistas enquanto se pronuncia o mantra-semente único, hrim.30 Nesta meditação Kālaviṣuva, a mente se dissolve em unmanā, o estado em que a mente não funciona.
2.1.8. Tattvaviṣuva: Esta meditação sobre si próprio depois que nāda se dissolve acima de unmanā revela a verdadeira natureza do si-mesmo, e a visualização deste viṣuva, portanto, resulta em autorrealização. Ele manifesta o estado mais elevado que transcende todos os seis vazios, cinco estados mentais e as sete viṣuvas. Nesse, todos os aspectos da bem-aventurança encontrados no prazer sensorial são vivenciados coletivamente.31 Este é o estado em que não há nenhum objeto para visualizar enquanto o si-mesmo é imediatamente conhecido. Assim, repousar sobre a verdadeira natureza do si-mesmo é a visualização de Tattvaviṣuva.
2.2. No decorrer da visualização mencionada, um yogui experimenta graus de liberação. Apenas o si-mesmo como reconhecido no estado de tattvaviṣuva é verdadeiramente conhecido, os outros estados sendo inferiores, com liberação impermanente. Essas experiências graduais são pré-condições para a liberação, e apenas o yogui que persevera na busca por uma experiência superior pode alcançar o estado de Śiva.32
3. Seis significados de um mantra
3.0. A reflexão sobre as várias camadas de sentidos em um único mantra é tão antiga quanto a própria tradição indiana do mantra. Yāska, o primeiro etimologista, se esforçou para apreender múltiplos sentidos em um único mantra. Tantra expande esse conceito. O significado do sentido no ritual e na prática do Tantra é totalmente manifestado na tradição Śrīvidyā, uma das práticas Śākta mais complexas. Existem duas fontes fundamentais:
a) Yoginīhṛdaya (YH) dá seis níveis de sentido ao mantra composto de 15 sílabas. Dois comentaristas do texto, Amṛtānanda e Bhāskararāya, decifram diferentes mantras do YH.
b) Bhāskararāya desenvolve essa noção de múltiplos sentidos em seu texto independente, Varivasyārahasya, onde ele escava dezesseis camadas de sentido dentro do mantra de quinze letras.
A elaboração sobre o sentido multivalente de um mantra nesta tradição é aplicável para a compreensão de outros mantras também. Visto que YH é considerado um texto Agâmico aceitável por todas as tradições Śāktas, expandimos o sentido contido neste texto. As seis camadas de sentidos dentro de um mantra são bhāvārtha, sampradāyārtha, nigarbhārtha, kaulikārtha, sarvarahasyārtha e mahātattvārtha.33
3.1.1. Bhāvārtha: As sílabas que compreendem um mantra significam seu sentido essencial (bhāvārtha). Todos os deuses e deusas da tríade, as divindades além da tríade e os supremos Śiva e Śakti constituem um mantra, ou em outras palavras, são inatos a um mantra.34 Essas divindades múltiplas são consideradas os membros das letras ‘a’ e ‘h’, as quais são as divindades constituindo coletivamente ‘aham’ (Eu-idade).35 No contexto da tradição Śrī-vidyā, essas divindades compreendem o mantra de 15 sílabas que são segmentadas em três kūṭas. Tripurasundarī, a divindade suprema que reside no centro do mantra, é a coleção de todas essas divindades. Essas divindades são, em essência, o sentido de um mantra.36
3.1.2. Na Śrīvidyā, os três aspectos da criação, sustentação e contração são representados nos três kūṭas do mantra. Como o mundo se manifesta a partir da união de Śiva e Śakti, também o são os mantras compostos pelas cinquenta letras do alfabeto sânscrito, das quais vogais e consoantes são respectivamente consideradas como Śiva e Śakti. Assim, bhāvārtha revela a relação entre as letras do mantra e as divindades.
3.1.3. O mantra Śrīvidyā, composto de quinze sílabas, é considerado como tendo nove níveis sonoros (nādas) que representam o ciclo nônuplo dentro do Śrīcakra. Isso significa os cinco elementos grosseiros – terra, água, fogo, ar e céu, junto com os cinco elementos sutis de cheiro, sabor, forma, toque e som. As letras do mantra também representam as quinze Nityās, divindades que, por sua vez, correspondem às quinze fases da lua. Tripurasundarī, a divindade central, é considerada o décimo sexto dígito, o aspecto imutável que é a base de todas as quinze fases e nas quais elas se fundem.
3.1.4. Na compreensão mais elevada, a consciência em si mesma é o significado essencial de um mantra. Com a visualização das divindades da tríade e daquelas que transcendem a tríade, o que se medita é sobre a própria consciência da qual o mundo emerge. Portanto, o próprio si do praticante é a verdadeira natureza ou o coração dos mantras e, portanto, a recitação do mantra corresponde à autorrealização. Experimentado como aham (“eu sou” ou senso-de-eu), esta autoconsciência é visualizada nas letras do mantra, enquanto as letras ‘a’ e ‘h’, compreendendo aham, são prakāśa e vimarśa, consciência e autorreferencialidade. A prática do mantra transforma esse sentido-do-eu da identidade pessoal na consciência ilimitada de Śiva. Meditar sobre o significado essencial de um mantra é experimentar o estado parātīta, o estado que está além do transcendental ou quarto estado, no qual tudo é um no mantra-semente único da deusa.
3.2.1. Sampradāyārtha (o sentido dado numa linhagem): Sampradāya identifica a comunidade para a qual o conhecimento é transmitido em uma sequência apropriada, para o aspirante considerado digno e suficientemente preparado, e o sentido da linhagem jaz oculto com um adepto. Nesse nível de meditação, o aspirante relaciona o mantra aos cinco elementos; por exemplo, no caso do mantra de Tripurā, as cinco letras, h, k, r, s e l se alinham com o céu, ar, fogo, água e terra. Destas letras emergem quinze qualidades, com diferentes proporções de som, tato, forma, gosto e cheiro. Essa visualização gera a consciência de que o mantra envolve tudo o que existe; a recitação ocorre com a compreensão de sua abrangência. Os poderes intrínsecos a todas as entidades, sejam sencientes ou não, são considerados aspectos de Śakti, correspondendo à letra ‘h’ no mantra, enquanto as próprias entidades são Śiva, latentes na letra ‘a’; a autoconsciência não nega o mundo, mas repousa na realização da imanência. Por exemplo, no fogo, há calor; na água, há gosto; em uma pessoa, há consciência; na lua, há um halo: em todas as entidades que existem no mundo, Śakti está oculta. A recitação de um mantra é a reflexão sobre o significado que permite ao praticante receber o conhecimento de Śakti, que permeia tudo o que existe. Medita-se nessa abrangência intrínseca ao mantra conectando as 36 categorias (tattvas) às letras do mantra, enquanto o som que fundamenta e transcende todas as letras é considerado a 37ª categoria.38 Assim, a recitação de um mantra é a compreensão de que o mantra praticado é idêntico a todas as categorias.
3.2.2. O mantra, além de significar o mundo objetivamente cognoscível, também indica diferentes estágios de consciência subjetiva. A consciência impura (sakala) é comum a todos os indivíduos limitados em sua vontade, conhecimento e ação, e que estão presos no mundo percebendo a dualidade. Uma consciência subjetiva ‘mixa’ refere-se ao nível Pralayākala de seres desvinculados do karma, com limitação de conhecimento e vontade. Os Vijñānākalas são aqueles que alcançaram o verdadeiro conhecimento e são libertos de seu karma, embora ainda tenham limitação de vontade. Com a visualização desses diferentes graus de individualidades, o yogin se esforça para alcançar a consciência de Śiva que envolve todas essas identidades.39 Esses três níveis de consciência são visualizados em um mantra, com o primeiro referindo-se ao prāṇa, ou força vital, o segundo, a jīva ou alma, enquanto o terceiro, à consciência de Śiva. Com essa meditação, a experiência do sentido comum no nível do prāṇa ascende à consciência de Śiva, permeando todas as identidades subjetivas e objetivas.
3.2.3. Os mantras são compostos da gota (bindu) e o som (nāda). Enquanto o aspecto bindu dá origem à tríade de divindades masculinas, a tríade de deusas é a manifestação do nāda.40 No contexto da Śrīvidyā, essas tríades são visualizadas em três kūṭas. O primeiro dos aspectos do nāda, śāntī, é contemplado na forma do som imanifesto dissolvido na abóbada craniana, que se elevou da posição de śakti no cakra da base para repousar na posição de śakti sobre o lótus de mil pétalas. Śakti é idêntica à kuṇḍalinī que se eleva, perfurando três nós nas posições onde se medita sobre os aspectos de fogo, sol e lua.41 Isso é visualizado além de rodhinī, o poder que impede a consciência superior do yogin desqualificado. Śambhu é considerado o vazio supremo, o vazio da consciência que está além do nome e da forma, que transcende as identidades feitas de sujeito e objeto: esta é a verdadeira natureza da consciência.
3.2.4. O mantra fundamental da divindade que é visualizada no centro da maṇḍala permeia todas as divindades que residem na maṇḍala, no sentido de que são suas próprias manifestações. O mantra da divindade central é a origem de todos os mantras das divindades ao seu redor: todos os outros mantras pertencentes às divindades periféricas emanam do mantra central. O mantra central é a fundação do conhecimento e, portanto, com a perfeição deste mantra, o praticante também adquire perfeição na gnose que flui no Kula (família). O conhecimento adquirido por meio do mantra central permeia todos os outros níveis de realização que manifestam aspectos particulares da natureza de Śiva, concedendo perfeições de natureza limitada.
3.3. Nigarbhārtha: O significado mais esotérico (nigarbha)42 é a identificação da divindade, do mestre e do aspirante como sendo um e o mesmo. O mestre é considerado Śiva no sentido de que ele transmite o conhecimento revelado pelo próprio Śiva e manifestado na forma de Āgamas. Nos Tantras, a posição do mestre é muito elevada, pois ele é aquele que conecta o eu preso no mundo à consciência onipresente.
3.4.1. Kaulikārtha: Encontrado com o Kula, o clã dos iniciados, esse significado é apreendido com a compreensão da identidade da Maṇḍala, a divindade, o mantra, o mestre que transmitiu o conhecimento e o indivíduo que pratica o mantra. Esta, portanto, é uma forma ampliada da prática nigarbha. A autoconsciência que um yogui adquire por meio da prática do mantra não nega seu entorno, mas reflete a realização superior na qual ele identifica seu entorno consigo mesmo e com a divindade sobre a qual meditou no centro da maṇḍala. ‘Kula’ refere-se fundamentalmente aos dois aspectos do corpo e do mundo compostos por 36 categorias. O sentido canalizado dentro do clã une esses dois significados em um, com o corpo visualizado como uma coleção de todas as 36 categorias.
3.4.2. O mantra e a maṇḍala são identificados como equivalentes: isso é explícito no caso da prática Śrī-vidyā. A sílaba ‘l’ significa um quadrado e três círculos, a sílaba ‘s’ significa dois círculos construídos com lótus de dezesseis e oito pétalas. Três mantras-sementes em três kūṭas compreendem o navayoni cakra, o triângulo central, os oito triângulos e a gota central encontrada nas camadas mais internas do Śrī-cakra. A tríade de sílabas-semente refere-se aos três aspectos da vontade, conhecimento e ação. Ao cantar o Śrī-mantra, os três triângulos voltados para cima e para baixo que constituem as três camadas da maṇḍala – duas camadas de dez triângulos e uma de quatorze triângulos – são visualizados ao articular a letra ‘h’. Enquanto se medita sobre a maṇḍala, os triângulos voltados para cima representam os aspectos do ‘fogo’, enquanto os triângulos voltados para baixo significam ‘água’. Essa identificação de uma letra específica com uma camada específica da maṇḍala sugere que a visualização da maṇḍala coincide com a recitação do mantra. A maṇḍala é uma extensão fótica do mantra fonemático. As letras que significam camadas específicas da maṇḍala diferem com cada prática. Na prática de Śrīvidyā, o aspirante articula a sílaba ‘k’ enquanto medita sobre Sadāśiva, um preta (“aqueles que se vão”, aqui uma divindade do tempo) que reside sobre quatro outras divindades que representam quatro aspectos do krama (sequência). Na gota (bindu), Śiva é visualizado.
3.4.3. Com a visualização da vontade, conhecimento e ação nas armas que uma divindade porta –– dentro do contexto da Śrī-vidyā, com visualização de pāśa (corda) como vontade, aṅkuśa (aguilhão) como conhecimento e um arco e flechas como ação –– a divindade é identificada como uma personificação de todas as forças manifestadas nessas armas. Ao refletir sobre o sentido kaulika, da mesma forma que o mantra e a maṇḍala são reconhecidos como idênticos, o mantra e a divindade também o são. O significado de um mantra é encontrado no reconhecimento da correspondência entre a forma antropomórfica da divindade com a maṇḍala geométrica. Todas as divindades que residem em diferentes partes da maṇḍala são emanações da divindade central. Da mesma forma com a maṇḍala, todas as formas geométricas que a compõem se concentram na própria gota no centro e se desdobram novamente em uma forma radiante. A divindade que nela reside e a maṇḍala são consideradas idênticas. Além disso, as diferentes divindades que residem em diferentes partes da maṇḍala são vistas como membros da divindade central. As armas da divindade primária dão origem às primeiras camadas externas da maṇḍala. Por exemplo, no caso da Śrīvidyā, as armas da deusa Tripurā e do senhor Kāmeśvara são imaginadas como os oito triângulos na camada externa do triângulo interno da maṇḍala.
3.4.4. As divindades, planetas e estrelas instaladas no corpo do praticante durante o curso do nyāsa sêxtuplo são visualizados como parte do sentido Kaulika.43 Nesta meditação, a imanência da deusa é reconhecida em sua representação cósmica, onde a divindade central não é apenas o centro da maṇḍala, mas também o centro do universo. Seis deusas-mães meditadas no centro de seis cakras são consideradas as seis substâncias que compõem o corpo da deusa, que, no corpo do praticante, estão localizadas na pele, nervos, carne, gordura, medula, e sêmen.44 Com nove grupos de letras, nove planetas são visualizados. Como parte do sentido Kaulika, as divindades são consideradas partes do corpo do praticante também, uma forma microcósmica do supremo. As letras segmentadas em vinte e sete grupos, referentes às vinte e sete constelações, compõem o corpo visionário de um yogin.45 As doze divindades do zodíaco se referem às dez forças vitais (prāṇā),46 o eu individual (jīvātman) e o supremo si-mesmo (paramātman). Com a visualização dos cinquenta Śāktapīṭhas (centros de culto à Śakti), o praticante, enquanto entoa o mantra, percebe sua imanência. Essa representação cósmica é visualizada na divindade, na maṇḍala e no mantra da deusa. O propósito desta meditação dá origem a pūrṇāhantā (eu-idade completa). Japa, neste sentido, é uma extensão da consciência subjetiva na forma divina que envolve todas as entidades da existência.
3.5. Sarvarahasyārtha: O significado mais esotérico (sarvarahasya) de um mantra é sua identificação com Kuṇḍalinī. Um mantra é visualizado como originando-se no cakra da base, elevando-se na forma de Kuṇḍalinī, perfurando os centros onde os aspectos do fogo, sol e lua são visualizados. Um triângulo, na base do lótus idêntico a este cakra, é considerado como a coleção de todas as trinta e oito categorias e cinquenta sílabas sânscritas. Todos os quatro níveis de fala são contemplados neste triângulo, incluindo três aspectos da consciência manifestados na forma de sujeito, objeto e cognição. A meditação dos trinta e oito aspectos reflete sobre esta mesma tríade em que o fogo é visualizado com dez dígitos, o sol com doze aspectos e a lua com dezesseis fases. Esse número coincide com os Rudras presentes nos cinco mantras representando as cinco faces de Śiva, e permeia as trinta e seis categorias tântricas e o que está além delas.
3.6. Mahātattvārtha: Este é o significado mais elevado de um mantra, sutilmente sugerido nos textos do Mahārtha, com base no Kālīkula.47 A realização de mahārtha é a identificação do praticante com a consciência divina, reconhecendo o mundo como seus próprios aspectos.48 Com a realização de mahārtha, um yogui que permanece neste estado de consciência transcendente está eternamente livre da aparência multifacetada no mundo, mas totalmente ciente do mundo como sua própria natureza. Assim, um yogui neste estado experimenta tanto a liberação quanto o mundo, desfrutando da bem-aventurança em sua forma verdadeira e também em suas manifestações objetivas, percebendo que as instâncias de consciência são meras ondas sobre o oceano, inseparáveis de sua origem. Esta realidade não é prejudicada pela distinção entre escuridão e luz; não há separação de tempo e espaço; nesta percepção, o yogin transcende a dualidade de consciência e matéria.
4. Conclusão
4.1. Essa discussão revela que, no Tantra, articular um mantra é uma forma exigente de meditação, com uma visualização interna cada vez mais complexa e reflexão sobre os seus sentidos. A prática do mantra envolve outras formas de meditação e adiciona categorias adicionais. Uma verbalização externa de um mantra não possui, por si só, as formas sutis de recitação do mantra que adornam os Tantras. A surpreendente dificuldade de compreensão, a visualização interna e a contemplação tornam a meditação tântrica impenetrável e, portanto, secreta.
4.2. Com o termo japa englobando em si todas as visualizações aqui articuladas, o conjunto completo do ritual é um único japa em membros diferentes. O nyāsa sêxtuplo, a visualização dos pés do Guru, o nyāsa da maṇḍala e divindade e mantras instalados dentro do corpo do praticante, todos são parte do mesmo mantra sendo praticado, ou o sentido mesmo do próprio mantra. Uma vez que o sentido do mantra está na totalidade das práticas, bem como manifesto inteiramente em cada um dos componentes, seu sentido não pode ser limitado a uma compreensão linear, nem pode ser reduzido a mero sentido sentencial. Em outras palavras, os mantras são significativos; entretanto, sua derivação de sentido difere daquela da linguagem comum. Isso não nega o significado elementar – que pode ser o bhāvārtha do mantra – mas o transcende, significando a totalidade, referindo-se simultaneamente a todos os aspectos que a totalidade abrange. Mantra é uma linguagem com os signos e seus significados baseados nas convenções de cada respectiva tradição. Isso pode ser arbitrário ou mesmo imposto por certos exegetas; não obstante, o significado de um signo não pode ser separado da compreensão dos seus detentores. Portanto, o sentido de um mantra é tudo o que é reconhecido como seu sentido. Sendo esse o caso, articular um mantra é a compreensão de que essa totalidade jaz no próprio coração.
4.3. Essa discussão também revela que decifrar o sentido e praticar o mantra na tradição tântrica abrange as categorias de Yāska e Patañjali como seus passos iniciais e se desenvolve ainda mais, não negando o que é expresso, mas adicionando vários entendimentos próprios. O resultado desta prática não difere nas tradições Tântrica e Yoguica: a prática do mantra culmina na autoconsciência e no fim do sofrimento.49
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NOTAS
- Os textos Śikṣā sobre fonologia sânscrita lidam apenas com textos védicos. O objetivo desses textos é ensinar a pronúncia exata dos mantras, de forma que o ritual védico possa culminar no resultado pretendido.
- Yajñānāṃ japayajño ‘smi Bhagavadgītā 10.25.
- Uma linha na BG, om ity ekākṣaraṃ brahma vyāharan mām anusmaran, (BG 8.13) apoia que a recitação de praṇava e reflexão sobre o Senhor coincidem. Isso é conceitualmente mais próximo de tajjapas tadarthabhāvanaṃ. YS 1.28.
- Em YS 1.28, o Vyāsabhāṣya interpreta a prática do mantra como tendo duas ações separadas, contando e refletindo sobre seu significado: praṇavaṃ japataḥ praṇavārthañ ca bhāvayataḥ (tendo contado praṇava e tendo refletido sobre o significado de praṇava). No entanto, este sūtra também pode ser interpretado como a segunda parte do sūtra, elaborando a primeira, ou seja, a recitação como uma reflexão sobre o significado do mantra (praṇava neste caso).
- O termo tat em YS 1.28 refere-se a Īśvara, que em si é um termo técnico que se refere a um puruṣa específico que está eternamente livre de kleśas, karmavipāka e āśaya.
- Bhartṛhari parece ter aceitado apenas três níveis de fala: paśyantī, madhyamā e vaikharī. O conceito de parāpaśyantī, no entanto, parece ser contemporâneo, uma vez que aparece no Vṛtti de VP. Somānanda argumenta contra esta natureza triádica da fala, na qual paśyantī é postulada como a mais alta fala, śabda-brahman. Gramáticos posteriores, como Nāgeśa, defendem quatro níveis de fala, aceitando parā como a forma mais elevada.
- Yoginīhṛdaya, o texto principal sendo considerado ao longo deste estudo, divide a fala em quatro e a equivale a quatro divindades: Ambikā, Vāmā, Jyeṣṭhā, e Raudrī. YH 1.36-38. Kāmakalāvilāsa (KKV), junto com o comentário Cidvallī de Naṭanānanda, elabore esse conceito em KKV 20-27. Abhinavagupta explica os três estágios da fala, paśyantī, madhyamā e vaikharī, como idênticos às três deusas Trika Parā, Parāparā e Aparā. Tantrāloka 1.271-272.
- O canto interno de mantras durante os rituais também é prescrito nos textos Brāhmaṇa. Upāṃśu, como uma leitura sutil ou secreta de mantras, pode ser encontrada em Śatapatha e Aitareya Brāhmaṇas. (Monier-Williams 1899, 212, linha 2). O Vṛtti em Vākyapadīya 2.19 interpreta upāṃśu como: tatra prṇavṛttyanugrahe saty eva yatra śabdarūpaṃ parair asaṃvedyaṃ bhavati tad upāṃśu (embora seja suportado pelo funcionamento do prāṇa, quando a forma de som se torna irreconhecível, isso [é considerado como] upāṃśu.” A interpretação de mānasa nos Tantras assemelha-se à do paramopāṃśu: antareṇa tu prāṇavṛtyanugrahaṃ yatra kevalam eva buddhau samāviṣṭarūpo buddhyupādāna eva śabdātmā tat paramopāṃśu (desprovido do suporte do funcionamento do prāṇa, quando o som em essência é dissolvido no próprio intelecto [buddhi], tendo o intelecto como causa material, essa palavra em essência [é considerada como] paramopāṃśu.” Vṛtti em Vākyapadīya 2.19.
- O mantra como um discurso secreto pode ser derivado da raiz verbal tatrī matrī guptabhāṣaṇe. Maheśvarānanda cita uma fonte anônima que define o mantra como mananatrāṇadharmin, ou aquele que tem o caráter de proteção se for refletido sobre. (Mahārthamañjarī 49). Outra definição significativa neste contexto é saṅkalpapūrvakoṭau nādollāso bhaven mantra (a manifestação do som na primeira etapa da volição). Citado de Rājarājabhaṭṭāraka em MM 49.
- Mananamayī nijavibhave nijasaṅkoce bhaye trāṇamayī/ kavalitaviśvavikalpā anubhūti kāpi mantraśabdārthaḥ // MM 49.
- Esta categorização da individualidade depende do Virūpākṣyapañcāśikā (VirP) 1.3, que atribui seis níveis ao sentido do senso-de-eu.
- Para um breve tratamento sobre os pramātṛs, consulte Pratyabhijñāhṛdaya (PH) 3; Tattvasaṅgraha (TS) de Sadyojāta (Versos 29-53) com o comentário de Aghoraśivācārya. Geralmente, os pramātṛs são sakala, pralayākala, vijñānākala, mantra, mantreśvara e mantramaheśvara.
- Veja o comentário de Kṣemarāja sobre o Śivasūtra (ŚS) 1.22; 2,1; 2.3. jīvālitadṛkkartṛtvāt tattvaṃ mantrākhyam etad dhi / TS 32.
- Kevalam upapāditamantrasvarūpaparāmarśo japa ity ucyate / mantrasya ca vaiśvātmyānubhūtirūpatvāt sarvo ‘pi vāgvyavahāras tatparāmarśātmatayaivopapadyate /Parimala em MM 49.
- Kathā japa ŚS 3.27.
bhūyo bhūyaḥ pare bhāve bhāvanā bhāvyate tu yā /
japaḥ so ‘tra svayaṃ nādo mantrātmā japya īdṛśaḥ // Vijñānabhairava 145. - Spandakārikā (SK) 2.1-2 com Spandanirṇaya de Kṣemarāja.
- Para várias interpretações de Tripurā, consulte KKV 12-14, 18-20, 25; Dwivedi 1984 (ver N), prefácio 83-90, texto 32-34.
- As divindades identificadas como a manifestação da vontade, conhecimento e ação são: de acordo com a tradição Trika, Parā, Parāparā e Aparā; de acordo com a tradição Śrīvidyā, Kāmeśvarī, Vajreśvarī e Bhagamālinī; e de acordo com a tradição de Durgā, Mahākālī, Mahālakṣmī e Mahāsarasvatī.
- Existem várias ordens nas quais os mantras de quinze sílabas da deusa são compostos. Os conjuntos mais comuns são considerados Kādi, que começa com a sílaba k: k-e-ī-l-hri-h-s-k-h-l-hriṃ-s-k-l-hriṃ, e Hādi, que começa com sílaba h: h-s-k-l-hriṃ-h-s-k-h-l-hriṃ-s-k-l-hriṃ.
- śūnyaṣaṭkaṃ thatā devi hy avasthāpañcakaṃ punaḥ /
viṣuvaṃ saptarūpañ ca bhāvayan manasā japet // YH 3.176-177. - A visualização de seis vazios segue a instrução Vijñānabhairava (VB):
śikhipakṣaiś citrarūpair maṇḍalaiḥ śunyapañcakam /
dhyāyato ‘nuttare śūnye paraṃ vyomatanur bhavet //VB 32. - Citir eva cetanapadād avarūḍhā cetyasaṅkocinī citam YH 5.
- Veja ŚS 1.7-11 para a interpretação Trika Śaiva dos quatro estágios de consciência.
- Mālinīvijayottara considera Turyātīta como o estado supremo. (MVT 2,38). Abhinavagupta considera turyātīta como o quinto estado. (Tantrāloka 10. 238). Ele define este estado como: yat tu pūrṇāvacchinnavapur ānandanirbharam / turyātītaṃ tu tat prāhus tadeva paramaṃ padam // (Tantrāloka 10. 278). Yat tv advaitabharollāsadrāvitāśeṣabhedakam / turyātītaṃ tu tat prāhur itthaṃ sarvatra yojayet (Tantrāloka 10. 297). Ekatrāpi prabhau pūrṇe cit turyātītam ucyate (Tantrāloka 10. 299). YH menciona cinco estados (avasthāpañcaka YH 3.176); isso é considerado turyātīta em ambos os comentários Dīpikā e Setubandha. YH 3.282 menciona explicitamente este quinto estado como turyātīta. Vidyānanda explica esse estado como: Manovāgatītaturyātītaśambhunā samarasadaśam. . . Artharatnāvalī em Nityāṣoḍaśikārṇava (NṢ) 1.9.
- O termo ‘mente’ refere-se a citta, que é composta de manas, buddhi e ahaṃkāra, cujas funções são reflexão, cognição e sentido-do-eu.
- YH define prāṇaviṣuva como yogaḥ prāṇātmamanasāṃ viṣuvaṃ prāṇasaṅjñitam / YH 3.182. Amṛtānanda o explica como a união da força vital e da mente. Bhāskararāya o descreve como o som que se manifesta quando Kuṇḍalinī se funde com a força vital no cakra básico. Esse mesmo som une a respiração e a mente enquanto sobe para o umbigo; ao chegar ao coração, ele se une à respiração e ao intelecto. Esta meditação do som sendo unido à mente e ao intelecto em três centros é identificada como prāṇaviṣuva. Setubandha em YH 3.182.
- Amṛtānanda entende o cakra do coração como sendo o centro onde o som do mantra é dissolvido, enquanto considera anāhata, ou o coração, como brahmarandhra. Bhāskararāya dá sua compreensão diferente em que a prática da meditação sobre o meio-termo dos mantras (mantraviṣuva) ocorre com a ascensão de Kuṇḍalinī, tendo reconhecido Kuṇḍalinī e o mantra como um.
- Abhinavagupta identifica Mātṛsadbhāva e Bhairavasadbhāva como duas sílabas-sementes diferentes nas quais os mantras das deusas e dos Bhairavas são dissolvidos. A sílaba aim, tendo sido reconhecida como yoni, é considerada o mantra-semente fundamental do Kālī-kula na transmissão do norte. A tradição Tripurā considera hrim como o mantra-semente. Na tradição do Trika, o Parā-Mantra, saum é considerado a sílaba semente na qual as divindades da linhagem se dissolvem e da qual as divindades emergem. Esses são considerados os praṇavas das divindades específicas.
- O suporte textual em que Amṛtānanda se baseia localiza a visualização do nāda na região do coração até a abóbada craniana: hṛdayādi bilāntañ ca viṣuva mantrasaṅjñakam (citado por Amṛtānanda em Dīpikā, YH 3.183-85). Isso se assemelha à fonte que Bhāskararāya está citando: hṛdayād brahmarandhrāntaṃviṣuvanmantrasaṅjñakam (citado em Setubandha, YH 3.183-85).
- A duração de um piscar de olhos é definida como nimeṣa. Uma trigésima parte de nimeṣa é considerada tatpara e uma centésima parte de tatpara é considerada tuṭi.
- Amṛtānanda define a bem-aventurança experimentada neste estado como: sarvaviṣayānandasamaṣṭibhūtaḥ paramānando nisargānandaḥ (nisargānanda é a bem-aventurança suprema que é a coleção de bem-aventurança [experimentada enquanto se desfruta] de todos os objetos). YH, Dīpikā 3.189.
- O verso, piṇḍe muktāḥ pade muktā rūpe muktāḥ ṣaḍānana / rūpātīte tu ye muktās te muktā nātra saṃśaya // (citado como ‘declaração de uma autoridade’ em YH Dīpikā 3.137-38), explica que a liberação, embora possível nos estágios de piṇḍa e assim por diante, não é real. Um versículo explica os termos técnicos usados nesta passagem:
piṇḍaṃ kuṇḍalinī śaktiḥ padaṃ haṃsaḥ prakīrtitaḥ /
rūpaṃ binduḥ samākhyāto rūpātītan tu niṣkalam //
(Citado em Nityāṣoḍaśikārṇava (NṢ), Artharatnāvalī, 1.10; YH Dīpikā 1.43; YH Setubandha 1.41). Aqui, o termo piṇḍa se refere a kuṇḍalinī, o termo pada se refere ao alento vital, rūpa se refere ao bindu e o termo rūpātīta se refere àquilo que está além das kalās. - YH 2. 15-16.
- Essas divindades são chamadas Yoginīs, Viras, Vīrendras, Śiva e Śakti. Pelos termos Yoginī e Vira, as divindades da tríade de criação, sustento e contração e suas consortes (Brahmā, Viṣṇu, Rudra com Bhāratī, Pṛthvī e Rudrāṇī) são identificados. Essas divindades significam a tríade de vontade, conhecimento e ação, por sua vez, significando Vāmā, Jyeṣṭhā e Raudrī. Vīrendras são as divindades além da tríade, Śāntā e Ambikā.
- Para tratamento posterior em Aham, ver Muller-Ortega 1989, 158-161.
- Bhāskararāya deriva o mantra de 15 sílabas das divindades contadas neste grupo. Ele oferece um entendimento alternativo ao afirmar que este grupo de divindades pode significar apenas o primeiro Kūṭa do mantra: thatā cāyaṃ ślokaḥ prathamakūṭamātrasyārthapratipādanaparaḥ. Setubandha em YH 2. 17.
- Bhāskararāya deriva três tipos de bhāvārtha: evaṃ triprakāro bhāvārtho varṇiṭaḥ (Setubandha em YH 2.24-25.)
- As tradições Śaivas, especificamente a doutrina Trika Śaiva, favorecem 36 categorias a partir de Śiva, a categoria suprema. As vinte e cinco categorias do Sāṅkhya são idênticas. Colocada acima dessas, a tradição Śaiva adiciona os fatores limitantes māyā, avidyā, kalā, rāga, kāla, niyati e, acima desses, as categorias puras encontradas abaixo de Śiva são Śakti, Sadāśiva, Īśvara e Śuddhavidyā. A 37ª categoria, reconhecida em alguns Tantras como Paramaśiva, é tratada como Sadbhāva, Bhairava, o estado de Viśvottīrṇa-Viśvamayatā. Abhinavagupta analisa essas categorias no cap. 11 de Tantrāloka.
- Bhāskararāya interpreta os pramātṛs, ou sujeitos cognitivos, de duas maneiras diferentes. O primeiro se assemelha ao explicado por Amṛtānanda, onde três categorias da consciência subjetiva se referem a sakala, pralayākala e vijñānākala. De acordo com a segunda interpretação, o primeiro nível de sujeito cognoscente refere-se a Siddhas impuros, 118 em número, tal como Krodhabhaṭṭāraka. O segundo nível se refere aos sujeitos puros-impuros, reconhecidos como lokapālas, nomeadamente, Agni, Indra e assim por diante. Os vidyeśvaras são considerados śuddha-pramātṛs (pura consciência subjetiva), o terceiro ou o nível mais alto de sujeitos cognitivos. No entanto, aquelas divindades puras cuja escuridão (kaluṣa) não acabou são reconhecidas como os setenta milhões de mantras.
- Neste contexto particular, as divindades visualizadas como um aspecto de bindu são Rudra, Īśvara e Sadāśiva, e as divindades vistas como um aspecto de nāda são Śānti, Śakti e Śambhu. Śambhu, embora não seja uma deusa, é lida na lista de deidades do nāda. As deusas e deuses da sabedoria visualizados no grupo de Śambhu ou Śāmbhavī são da natureza Yāmala. Está explícito em seis visualizações Śāmbhava, nas quais 360 raios são instalados em seis cakras pertencentes a seis divindades Śambhu e Śāmbhavī, das quais metade são masculinas e o restante, femininas.
- Esses nós ou granthis são identificados como Brahmagranthi, Viṣṇugranthi e Rudragranthi.
- Nitarāṃ garbha eva nigarbho rahasyatama ityarthaḥ Setubandha em YH 2.48.
- Gaṇeśa, Graha, Nakṣatra, Yoginī, Rāśi e Pīṭha são os componentes do nyāsa sêxtuplo. YH 2.8-44 desenvolve esta nyāsa. Nityāṣoḍaśikārṇava 1.1 louva a deusa, Tripurasundarī, como uma personificação dessas seis categorias.
- Essas seis Yoginīs são Ḍākinī, Rākiṇī, Lākinī, Kākinī, Śākinī e Hākinī. Amṛtānanda considera Yākinī como a sétima Yoginī, mas identifica apenas seis substâncias físicas (dhātus) correspondentes a essas divindades. Ele novamente interpreta a Yoginī como oito mães. Com uma indicação de aṣṭāṣṭaka, parece que ele também inclui sessenta e quatro Yoginīs como parte da visualização. (Veja Dīpikā em YH 2.61). No nyāsa sêxtuplo, as divindades Rudra que correspondem a cada uma das sílabas sânscritas são sugeridas por Gaṇeśa. YH, no entanto, abrange todas as divindades no Śrī-cakra, coletivamente 111 divindades, com o termo Gaṇeśa.
- O corpo é analisado em vinte e sete partes para identificá-lo com o cosmos. Esses membros são os dez sentidos e os dez objetos dos sentidos, com manas, buddhi, citta, ahaṅkāra, prakṛti, guṇa e puruṣa.
- prāṇa, apāna, samāna, vyāna, udāna, nāga, kūrma, kṛkala, devadatta e dhanañjaya são os nomes da força vital que funciona em diferentes partes do corpo.
- Textos como Mahārthamañjarī e Mahānayaprakāśa, junto com os textos de Kālīkula, principalmente Cidgaganacandrikā de Śrīvatsa ou textos como Kālīkulakramapañcaśatikā, são os principais textos sobre o Mahārtha. Mahārthamañjarī está comparativamente mais próximo aos textos da tradição Śrīvidyā.
- Maheśvarānanda cita YH 2.15-16, para apoiar seu entendimento de mahārtha, e subsequentemente define mahārtha como: tattadaśeṣārthtattvavaicitryasamaṣṭyadhiṣṭhānarūpatayā mahān abhedaprabhedakroḍīkāravicakṣaṇo ‘rtāḥ prawicakṣaṇo’ rtāt prawicakṣaṇo ‘rt. (Mahārthamañjarī, Parimala 70). De acordo com essa definição, mahārtha é o princípio não-dual que incorpora todos os arthas objetivos.
- Tataḥ pratyakcetanādhigamo ‘py antarāyābhāvaś ca YS 1.29. Com o significado sêxtuplo discutido a partir de uma perspectiva tântrica, a autoconsciência é o significado central. A manifestação da Soberania, com todas as perfeições que resultam da consciência da imanência, também apoia o conceito de que nenhum obstáculo impede o praticante durante o curso de sua meditação.

